Especialistas derrubam cinco mitos que te deixam com medo de tomar leite

Por mais que as pesquisas e a tradição comprovem que o consumo de leite faz bem para a saúde, muita gente insiste em atacar o alimento. Tais ações são motivadas por influência de campanhas de marketing de produtos que se propõe substituir os lácteos na mesa do consumidor. As alegações e argumentos geralmente não são científicos, e são baseados em achismo.

O fato é que o leite é um alimento acessível, sustentável, fonte rica de proteína e ainda por cima é campeão em fornecimento de cálcio, vitaminas e minerais essenciais para a saúde.

Conversamos com especialistas, que derrubaram os principais argumentos usados contra o leite.

1- O Ser humano não possui enzimas para digerir o leite

Falso!  A não ser que a pessoa tenha intolerância à lactose ou outra substância encontrada no leite.

“O homem é o único animal que toma leite depois de adulto, por ser o único que sabe comprar, os laticínios de forma geral trazem inúmeros benefícios para a saúde.” Afirma o médico nutrólogo Dr Edson Credídio.

Dr Credídio destaca ainda que “o melhor cálcio bio disponível que existe na natureza é o que vem do leite. Nós precisamos de três porções de leite ou derivados por dia para não precisar tomar suplemento de cálcio.”

Lembrando que uma porção de lácteos equivale  a um copo de leite, ou um copo de iogurte ou uma fatia de 30 gramas de queijo.

2- O leite vem contaminado com  antibióticos

Mito. O leite e seus derivados inspecionados passam por uma série de  processos para garantir a segurança para o consumidor. E não é só porque o produtor é bonzinho não.  Leite contaminado tem que ser descartado. O que significa prejuízo!

Segundo Maira B Zanela, Pesquisadora Embrapa Clima Temperado Área de Qualidade do Leite os produtos lácteos que a gente compra “passa por diversas etapas, desde o sistema de produção da ordenha do animal, até chegar ao consumidor, ele vai passar por vários processos de avaliação que garantem a segurança alimentar do produto,” esclarece Zanela. 

Durante o processo de produção, o produtor testa na propriedade, a indústria faz uma análise no leite antes de descarregar na fábrica. E tem mais diversos protocolos com testes e análises até chegar ao consumidor.

O leite por lei deve cumprir diversos protocolos legais: leis, portarias e instruções normativas dos órgãos federais e estaduais que normatizam o setor e o fiscalizam.

O setor lácteo brasileiro, independentemente das legislações que deve observar e cumprir, é membro da Federação Internacional do Leite FIL/IDF. A instituição desenvolve rigorosas normativas técnicas científicas a respeito dos padrões e processos,  recomendados e exigidos durante toda cadeia produtiva, até  chegar na mesa do consumidor.

“É cada vez mais exigido que o consumidor receba um leite seguro. Neste sentido a nossa equipe da Embrapa, trabalha arduamente para sistematizar e dar estrutura em todas as etapas de produção do leite, para que a população consuma um leite seguro”, conclui a pesquisadora.

3- Leite é inflamatório ou acelera processos de inflamação

Mais um engano. Não é possível atribuir a um único alimento a culpa de ser inflamatório, isto porque o processo inflamatório precisa de “alguns gatilhos e não um gatilho único”.

A nutricionista Janaína Goston acredita ser “muito leviano quando se faz essa afirmação. Então, eu não compactuo com colegas que atribuem méritos a um produto ou a um alimento detrimento de outro”. Ela ainda destaca que é preciso levar em consideração o estilo de vida e a história genética de cada um. 

Afinal a saúde depende de vários fatores como: dormir bem, controlar o estresse, fazer atividade física e ter um hábito de realizar visitas aos médicos.

E quem é intolerante à lactose? A nutricionista recomenda o uso da enzima (lactase) e as versões de lácteos lacfree e pede: “não deixe de usar o leite, por quê? Porque nutricionalmente falando o leite é rico em vários nutrientes, não só o cálcio, e a proteína além de ser um alimento acessível e versátil”, destaca Goston.

É importante ressaltar que no caso do desenvolvimento de alergia à proteína do leite, um tratamento acompanhado por um médico alergista tem grande chance de sucesso. 

Retirar o leite da alimentação deixa a dieta mais monótona. “O consumo do leite facilita o alcance das nossas necessidades proteicas e de cálcio diárias”, ressalta Goston. O desafio para os nutricionistas é “aproveitar a diversidade da nossa alimentação fomentando a variedade e aspectos nutricionais, culturais etc e não excluir um alimento ou fazer com que este ou aquele seja melhor do que um outro. Temos inteligência para utilizar e usufruir de tanta variedade, então, vamos fazer as melhores escolhas (para uma dieta equilibrada) e os leites, os lácticos, eles fazem parte, não é?” Conclui Janaína. 

4- A criação de gado prejudica e polui o meio ambiente

Além de não ser verdade, repetir uma afirmação desta é subestimar a inteligência dos produtores. Pois eles precisam do solo fértil e do meio ambiente preservado para aumentar a sua produção.

O projeto Pecus-Rumen Gases coordenado pela Embrapa Gado de Leite indica que o balanço do carbono em sistemas brasileiros podem ser positivos.

Segundo Luiz Gustavo Pereira, pesquisador da entidade, “dependendo da forma como é conduzida, a pecuária pode até mesmo ser vista como prestadora de um importante serviço ambiental para o Planeta”, avalia.

De acordo com o pesquisador, o benefício acontece por meio do Sequestro de Carbono, que remove o gás carbônico da atmosfera, fixando-o no solo ou nas plantas. Ele ocorre por meio da fotossíntese, captando o carbono e lançando oxigênio na atmosfera.

Pereira afirma que isso se deve ao sistema de alimentação e criação dos rebanhos brasileiros, baseado principalmente no pasto. “Árvores, culturas anuais e pastagens funcionam com dreno de carbono. Se são bem conduzidas podem compensar a emissão de metano pelas vacas”, revela.

Produtor rural sério e profissional cuida de suas terras, pois tem consciência que seu sustento precisa de um ambiente saudável.

5- Leite industrializado tem muita química para durar mais

No Brasil, os leites encontrados nas prateleiras são geralmente pasteurizados ou UHT (do inglês Ultra High Temperature). É importante destacar que ambos são processos de esterilização, apenas isso.

O leite pasteurizado costuma ser comercializado em saquinho, ele é super aquecido por até 20 segundos e depois resfriado de forma muito rápida. Este processo mata apenas as bactérias que causam doenças, e conserva o leite por até sete dias, sendo necessário mantê-lo refrigerado.

Já no processo UHT o leite é aquecido a uma temperatura muito mais alta e por menos tempo. Este processo é acompanhado de um sistema de envase que garante ainda mais assepsia  e durabilidade. O leite UHT é geralmente comercializado em caixinhas multicamadas que prolongam ainda mais a durabilidade do alimento longe da geladeira, pois impede a penetração de luz e ar.

A engenheira de alimentos Patrícia Blumer explica de uma forma bem didática como funcionam estes processos, que passam longe de aditivos químicos! Confira:

“É importante esclarecer que a água é um composto químico. A fórmula química da água é H2O. O corpo humano, o suco de laranja, a banana, o bife, o ovo, os chás e até o leite são formados naturalmente por vários compostos químicos.

Não podemos esquecer dos fundamentos de química das disciplinas do Ensino Médio pelas quais todos passamos. O leite UHT, que é bastante consumido em todo o Brasil, é aquecido a temperaturas entre 130 e 150º C por poucos segundos para que a maior parte dos microrganismos sejam destruídos e ele possa ser conservado sem refrigeração.

Quando lemos o rótulo do leite UHT verificamos que além do leite há a declaração de alguns tipos de sais.

Estes sais (citratos, fosfatos) são adicionados em quantidades bastante pequenas e tem a função de estabilizar as proteínas do leite, apenas isto, eles também estão presentes em outros alimentos.

Por sua vez, o leite pasteurizado é aquecido a temperaturas mais brandas (entre 63 e 72º C) e precisa ser mantido refrigerado, tem vida de prateleira mais curta. Tanto o tratamento UHT como a pasteurização são processos de aquecimento que visam destruir microrganismos, não havendo modificações adicionais relevantes na composição do leite.

Por isso, fique tranquilo, não são adicionados conservantes ao leite UHT e pasteurizado, sendo estes alimentos muito nutritivos para sua dieta,” revela Blumer.

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